segunda-feira, 15 de março de 2010

"Verdadeira e perfeita alegria"

"... E coberto de lama, gelado, a tiritar de frio, chego à porta.
Depois de estar bastante tempo a tocar e a chamar, aparece o irmão e pergunta:
-Quem é?
Eu respondo:
- Sou o irmão Francisco.
E ele replica:
-Fora daqui. Isto não são horas decentes de se andar pelos caminhos. Aqui é que tu não entras.
E, perante nova insistência da minha parte, responde:
- Fora daqui. Tu não passas de um simplório, um labrego. Connosco é que não ficas. Já cá temos muita gente e não precisamos de ti para nada.
De novo me aproximo da porta para lhe dizer:
-Por amor de Deus, deixe-me ficar aqui esta noite.
Responde ele:
-Não estou disposto. Vai ter com os curcíferos e pede-lhes que te recebam.
Seu eu levasse tudo isto com paciência e sem ter perdido a calma, digo-te que está nisto a verdadeira alegria e também a verdadeira virtude e o bem da alma."
(Verdadeira e Perfeita Alegria)
.
Bom dia!
Hoje apenas quero deixar-vos algumas questões que me faço sempre que leio este texto.
Penso que é importante meditar em interrogações desta natureza, pois situações como esta, acontecem-nos com muita frequência.
-Quantas vezes não fecho eu o meu coração e não deixo que os outros lá entrem? O que me leva a agir assim?
- Quantas vezes vivo eu fechado no "meu mundo" pensando que não preciso dos outros para nada?
- Quantas vezes eu não estou disposto a acolher o outro só porque é tarde, ou porque tenho as minhas coisas para fazer?
Frei Luís Mota

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