sexta-feira, 7 de maio de 2010

"Amai-vos uns aos outros." Jo15,12

"(...)parecia-me muito amargo dar com os olhos nos leprosos; mas o mesmo Senhor, um dia, me conduziu ao meio deles e com eles usei de misericórdia." Testamento 2




Esta pintura de Matthias Grunewald é muito comovente. Nela retrata aquele acto de amor carregado de loucura que é a obediência à morte de cruz; contudo, o Cristo é desfigurado, os membros deslocados, o corpo dilacerado. É o altar de Isenheim, oriundo de um convento de antoninos onde eram tratados os doentes vitimas de pandemias que assolaram a Idade Média. O Crucificado apresenta-se como um deles, que sofre com eles as suas dores. Os monges e os doentes ao rezar todos os dias diante desta imagem, reconhediam que Deus, em Cristo, sofria com eles e, assim, identificavam-se com Ele. Como escreveu Bento XVI: "O sofrimento incorporava-os em Cristo e no abismo de eterna misericórdia."

Foi o que aconteceu a S. Francisco quando encontrou o leproso. Teve um tal impacto no seu espírito que "o que antes (lhe) parecia amargo, converteu-se (...) em doçura de alma e de corpo(...)", e assim, encontrou Cristo nos mais pequeninos, nos desprezados da sociedade, naqueles que sofriam.

Hoje o Evangelho fala do mandamento do amor que Jesus nos deixou e questiona-me até que ponto é que amo o outro e, sobretudo, aquele que sofre. Confesso que é uma questão acutilante e faz-me perceber que ainda tenho muito que amar, que ainda tenho muito para abdicar em prol deste amor verdadeiro. É fácil compreender e aceitar esta via, é fácil louvar a Deus pelos exemplos dos outros que viveram neste amor, como Francisco de Assis, mas, na verdade, quanto amei eu? Quanto amaste tu? E quanto amamos nós? Será que é aquele amor de Jesus, ou aquele amor que procura o interesse próprio, que, no fundo, não é amor? Onde encontro eu os pequeninos de hoje?

São questões que me suscita o Evangelho e o exemplo de Francisco; mas penso que, acima de tudo, são questões que surgem do amor que recebo de Deus, pois quem ama sai de si mesmo, e quem é amado não fica impassível.

Pois, hoje, peço ao Senhor que me dê esta capacidade de amar, de sair de mim mesmo ao encontro do outro e, nos mais pequeninos, nos que sofrem, nos marginalizados, encontrá-Lo e assim fazer o que Ele hoje pede: "Amai-vos uns aos outros!"

Frei Sérgio

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