quinta-feira, 15 de julho de 2010

S. Boaventura (1221-1274)

"E firmemente quero obedecer ao Ministro Geral desta Fraternidade e àquele Guardião que lhe aprouver dar-me. E quero pôr-me nas suas mãos, de modo a não poder ir ou fazer coisa alguma contra sua obediência e vontade, porque é meu senhor." Testamento 27-28


Hoje a Igreja celebra S. Boaventura. Nascido em Bagnoregio, ingressou na Ordem dos Frades Menores com a idade de 20 anos, estudou filosofia e teologia, passou pela Universidade de Paris, primeiro como estudante e depois como professor, foi eleito Ministro Geral da Ordem em 1257, em 1273 foi nomeado Cardeal de Albano, tendo participado activamente na preparação do Segundo Concílio de Lyon (1274), falecendo no decorrer deste.


São apenas alguns dados biográficos deste santo, considerado Doutor da Igreja, com o título de Doutor Seráfico. Contudo, gostava de sublinhar o papel que teve na Ordem, aquando da sua nomeação para Ministro da Fraternidade. Numa altura em que a Ordem se encontrava perante várias e graves questões, tanto a nível interno como a nível externo, soube sempre manter uma postura moderada e conduzir a Ordem por caminhos seguros, penetrando no íntimo do espírito franciscano e organizando a estrutura com os meios da época.


Se virmos na História, vemos que mandou queimar todas as biografias de S. Francisco,no Capítulo Geral de Paris em 1266, e mandou prender, no Conventinho de Greccio, o Beato João de Parma, seu antecessor no generalato. São posições duras e que dão à figura deste santo um certo ar de prepotência, porém, nesta época a Ordem sofria uma grande crise de identidade, lutando entre o espírito do Pobrezinho de Assis e as Estruturas Religiosas de então, tendo irmãos que, por um lado, queriam viver a vida tal qual viveu S. Francisco e, por outro, irmãos que queriam dar uma nova vida à Ordem, tornando-a mais visível na sociedade. Efectivamente, uma coisa era haver doze irmãozinhos a viver de um lado para o outro, anunciando a Boa Nova, descalços e sem nada, e outra era haver 5000 frades (e depois muitos mais) que queriam viver o Evangelho à maneira de S. Francisco. Por outro lado, pela imagem que se criou de S. Francisco, a Ordem "roçou a heresia", com o joaquimismo.


Este homem, de uma racionalidade aguda e de uma fé humilde, conseguiu guiar a Ordem nestas tempestades e manteve sempre aquele espírito simples, sem se deixar ensoberbecer com os estudos e com os cargos que lhe foram confiados e, segundo alguns, teve um papel preponderante para que a Ordem não se perdesse e chegasse até aos nossos dias. Para alguns, S. Boaventura foi aquele que melhor penetrou no espírito franciscano e conseguiu traduzi-lo para a vida da Ordem.


Para mim, foi alguém que sempre soube o que queria e o que era essencial, Jesus Cristo e o seu Evangelho e, por isso, perante os imensos desafios com que se deparou, conseguiu sempre viver no Essencial sem se desligar, por momento nenhum, d'Ele.


Frei Sérgio

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